17 de Novembro - O Dia Mundial da Prematuridade


Legenda: Mãe Priscila com os filhos Benicio e Heitor e Pai Alexandre com os filhos Alice e Arthur

PREMATUROS: QUEM SOMOS?

Segundo o Ministério da Saúde: "No Brasil, aproximadamente 10% dos bebês nascem antes do tempo (prematuros). Mas o avanço da medicina tem possibilitado que a grande maioria consiga se desenvolver e crescer com saúde. São considerados prematuros (ou pré-termos), os bebês que vem ao mundo antes de completar 37 semanas de gestação". Então, nascemos antes do tempo, necessitamos nos desenvolver após o nascimento. Precisamos de cuidados especiais: UTI Neonatal, Unidade de Cuidados Intermediários, Alojamento Conjunto. Somos cuidados por muitos profissionais para que tenhamos um bom desenvolvimento: neonatologistas, enfermagem neonatal, fisioterapeutas, fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais, psicólogas, neurologistas, oftalmologistas, às vezes cirurgiões pediátricos, pneumologistas pediátricos e nutricionistas. Às vezes ficamos por longos períodos nestas unidades, mas recebemos além dos cuidados, muito carinho e atenção da equipe e de nossos pais. Ao nascermos proporcionamos uma experiência única a nossos pais, conforme relato a seguir.

Dra. Ana Beatriz Gonçalves

RELATO DOS PAIS: Priscila e Alexandre

PAIS DE PREMATUROS DURANTE INTERNAÇÃO HOSPITALAR

"Nossa experiência foi muito intensa, sabíamos que as crianças seriam pré-maturas desde a oitava semana de gestação, quando descobrimos que tratava-se de gestação quadrigemelar. Recém-nascidos pré-maturos são menores e necessitam de atendimentos intensivos e específicos desde algumas horas antes do parto. Eles são verdadeiros guerreiros pela vida.

A cada semana de gestação conquistávamos uma vitória. Sempre com acompanhamento pré-natal rigoroso, iniciávamos uma nova semana de batalha pela vida, com bastante fé e dedicação. Exatamente, quando completou-se 31 semanas de gestação, as contrações tornaram-se rítmicas e dolorosas até que no dia seguinte, o Dr Ricardo Cavalli, após avaliação clínica, optou por "resolver" a gestação. Às 13:53 do dia 19 de outubro de 2019 nasceu o Benício, às 13:54 o Arthur, às 13:55h o Heitor e às 13:56 a caçulinha Alice. O parto foi uma mistura de sensações indescritível. Houve muito medo e alegria, desespero e esperança. Foi incrível!! As crianças foram preparadas para o mundo. Filmamos tudo: o corte da cesárea, retirada dos bebês, cortes dos cordões umbilicais até o encaminhamento dos recém-nascidos à UTI neonatal.

Na UTI as crianças são monitoradas e cuidadas 24 horas por dia. Visitávamos elas várias vezes ao dia. A sensação de ver seus filhos numa incubadora, com auxílios respiratórios, sondas e monitores eletrônicos traz sentimentos intensos de medo e incapacidade. Contudo, queríamos vê-los em nossos braços, sob nossa proteção. Do modo em que se encontravam, nem pareciam nossos filhos. Após alguns dias na UTI, conforme os auxílios respiratórios eram retirados, as crianças foram, uma a uma, encaminhadas para a UCIN (Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal). Sabíamos que a saída da UTI e entrada na UCIN era consequência de melhora significativa das condições respiratórias e boa estabilidade vital das crianças. Esta transição trazia sentimentos de vitória e muita alegria. Contudo, como ocorria com uma criança de cada vez, somente com a saída da última criança, conseguiríamos ficar plenamente contentes.

Do mesmo modo que a saída da UTI, a liberação da UCIN para o quarto também foi um momento muito esperado e concluído apenas com a chegada do Arthur, o último a vir para o quarto. O Arthur teve, durante sua estadia na UCIN, dois retrocessos (retorno à UTI), devido a instabilidades respiratórias consequentes de uma infecção, que foi descoberta precocemente e tratada de modo eficaz. Foram momentos de bastante aflição e orações.

No quarto, ainda com sondas e monitoração de frequência cardíaca e de saturação de oxigênio, iniciamos a rotina de trocas de fraldas e alimentação das crianças, com intervalos inadiáveis de 3 horas, sempre sob orientação da incansável Dra. Ana Beatriz (pediatra). Esta fase está sendo extremamente bacana, e apesar do esgotamento físico e mental, nos sentimos pais de verdade, responsáveis pela sobrevivência e bem-estar das crianças.

Crianças prematuras vêm ao mundo antes da hora biológica adequada e lutam pela vida continuamente, superando todos os limites e adaptações necessárias à sobrevivência. Ao mesmo tempo que trazem desespero, nos enchem de orgulho e esperança. A trajetória de um prematuro, desde seu nascimento até a alta hospitalar, é um exemplo de dedicação e luta pela vida de equipes médicas e cuidadores (técnicos e enfermeiros), dos pais e principalmente do próprio recém-nascido. É impressionante, pais de prematuros são aprendizes diante de lindas e sábias criaturas batalhadoras pela vida."